A votação proporcional: você sabe o que faz um deputado?

Em Alagoas, acostumou-se o eleitor à ideia de que um bom representante parlamentar é aquele que traz recursos para o seu município ou região.

Carente de tudo, é compreensível que o cidadão jogue sobre as suas representações políticas a esperança de obras estruturantes e de mais empregos. Porém, sob todos os aspectos, se basear nesta expectativa para escolher o candidato a deputado é um grande equívoco, especialmente em se tratando do estado Caeté.

Primeiro, que a grande função de um parlamentar é legislar. Criar Leis que, em vigor, possam promover justiça e igualdade. Menos impostos, redução da maior idade penal, descriminalização do aborto, legalização da maconha, tributação das grandes fortunas, são alguns dos muitos temas de interesse da população que dependem de vontade política dos parlamentares para serem discutidos e levados à votação. Isto apenas para citar alguns bem polêmicos. Mas, há muito mais assuntos do interesse do povo que depende da real vontade dos legisladores para mudar a cara do país.

Segundo, o parlamentar (deputados federais e estaduais, bem como vereadores) tem a prerrogativa constitucional de fiscalizar os demais poderes. Cabe a ele acompanhar os gastos públicos, fiscalizar as obras governamentais, questionar projetos apresentados pelos poderes para votação, denunciar e investigar os malfeitos de Presidente, governadores, prefeitos, ministros, magistrados e outros agentes públicos. Porém, ao se eleger deputados que gastam rios de dinheiro ou que são envolvidos com crimes de todo tipo, além de perder um fiscal, o eleitor está reforçando a corrupção que tanto critica e perpetuando a falta de tudo a qual tanto lamenta. Porque, dinheiro desviado dos cofres públicos é o mesmo que vai faltar na merenda, no hospital, na pavimentação de ruas, na segurança pública, etc.

Portanto, ter um “representante da cidade ou região” não significa dizer que as coisas serão melhores se ele for mais do mesmo que ai está. Muito mais no caso de Alagoas. Porque, além dos tantos criminosos que conseguem chegar a Assembleia Legislativa, vivemos num estado que não possui recursos para investimento em obras, em pesquisa tecnológica, no turismo ou na saúde. Então, neste caso, o melhor a fazer, na minha modesta opinião, é votar em quem tem passado limpo. Escolher quem não tem qualquer vínculo com o crime. Nos que se pode acreditar que abrirão mão das milionárias verbas de gabinete. Naqueles que, sem rabo preso, poderão fiscalizar o mandato do governador, seja ele quem for.

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